quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A marcha dos dias



O dia nada mais é do que essa ilusão tênue disfarçada, comprimida em poucas horas, que me faz perder o sentido de perdição eterna e salvação constante, o que do dia recebo é a certeza da sua velocidade, de sua brevidade de que na aurora se encontra escondida o hálito divino em divina graça. Assim o dia me parece, aparecido não sei de onde, de qual dimensão existente nos mundos de Deus, e nessa volúpia do desejo de assumir o controle do tempo, e diz em desesperada constatação: Já estamos no fim do ano, o tempo tem voado ultimamente; este é o soluço do desespero que Deus deu aos homens do tempo do fim, para que possam perceber a brevidade de sua existência, e a vaidade de todas as coisas, para que possam assumir sua própria perdição e abraçar a sua salvação encontrada nos braços daquele que no madeiro se entregou antes de haver qualquer mundo e qualquer dia.
E assim me despeço também deste dia. O que são as horas, os dias, os anos, as décadas, os milênios? Diante de Deus são como o sonho que se sonhou ontem e do qual não se lembra direito e do qual não se pode esquecer.

Thiago Mendes